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GONZAGUINHA GONZAGUINHA GONZAGUINHA
| Atualizada em 09 dez 2001 | ||
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Filho de Luiz Gonzaga, o rei do baião, e Odaléia Guedes dos Santos,
cantora do Dancing Brasil. A mãe morreu de tuberculose ainda muito moça, com apenas 22
anos de idade, deixando Gonzaguinha órfão aos dois anos, e o pai, não podendo cuidar do
menino porque viajava por todo Brasil, entregou-o aos padrinhos Dina (Leopoldina de Castro
Xavier) e Xavier (Henrique Xavier), o "Baiano do Violão" das calçadas de
Copacabana, do pires na zona do mangue, morro de São Carlos, no Estácio, foram eles que
o criaram. As primeiras letras Gonzaguinha aprendeu numa escola local, mas as verdadeiras
lições de vida recebeu pelas ladeiras do morro. Quando garoto, para conseguir algum
dinheiro, carregava sacolas na feira e avisava os bicheiros do local, quando da chegada da
polícia.
Moleque Luizinho seu apelido de infância, vivia nas ruas. Pipas, peladas, bolinha
de gude, pião e os acidentes da infância. Como as três vezes em que furou o olho
esquerdo, fazendo com que perdesse 80% da visão desse olho.
No carnaval fugia com Pafúncio, um vendedor de caranguejos que morava nas redondezas e
era membro da ala de compositores da Escola de Samba Unidos de São Carlos, a partir daí,
o samba estaria definitivamente em sua vida. Nas ruas do Estácio, Gonzaguinha cresceu,
entre a malandragem dos moleques de rua e o carinho da madrinha. Do pai, recebeu o nome de
certidão, dinheiro para pagar os estudos e algumas visitas esporádicas. Imerso no
dia-a-dia atribulado da população, Gonzaguinha ia aprendendo a dureza de uma vida
marginal, a injustiça diária vivida por uma parcela da sociedade que não tinha acesso a
nada.
O aprendizado musical se fez em casa mesmo, ouvindo o padrinho tocar violão e tentando
fazer o mesmo. Gonzaguinha ouvia Lupicínio Rodrigues, Jamelão e as músicas de seu pai.
Gostava de bolero e era assíduo freqüentador de programas sertanejos. Ouvia também
muita música portuguesa, pois D. Dina sua madrinha e mãe adotiva, era filha de
portugueses e manteve-se ligada às tradições familiares.
Aos catorze anos, Gonzaguinha escrevia sua primeira composição: "Lembranças da
Primavera". Pouco mais tarde, compôs "Festa" e "From U.S
of Piauí", que seu pai gravaria em 1968 e 1972, respectivamente.
Em 1961, Gonzaguinha, que estava completando 16 anos, foi morar com o pai em Cocotá.
Xavier e Dina não podiam dar estudos para o garoto, que queria estudar economia. Neste
ano Gonzaguinha estudou muito, desde então jamais repetiu um ano, lia todos os jornais e
guardava tudo num saco de estopa, ele dizia que esses jornais podiam ajudar nos estudos.
Só depois de formado é que ele jogou tudo fora. Trancado no quarto, estudava economia e
tocava violão. Quando saía, ia para a praia jogar futebol, sua outra paixão. Como já
fizera no morro de São Carlos, esquecia dos horários e nunca vinha almoçar.
Em dezembro de 61, ocorreu o primeiro acidente automobilístico de sua vida, em viagem com
o pai e uma amigo, a caixa de mudança do carro enguiçou, isso ocorreu no Rio, em
direção a Miguel Pereira, Gonzagão ficou um mês hospitalizado, e Gonzaguinha só
sofreu um grande susto.
Os desentendimentos com Helena, esposa de Gonzagão, fizeram com que o menino acabasse
sendo interno em um colégio. Não só concluiu o Curso Clássico, como ingressou na
Faculdade de Ciências Econômicas Cândido Mendes (Rio de Janeiro).
A vivência da pobreza no Estácio, os problemas familiares e o espírito crítico que
possuía, aliados aos estudos na Universidade e ao clima pesado da ditadura militar foram
o ambiente onde se desenvolveu um dos mais criativos e inteligentes compositores da MPB
contemporânea. Era o cidadão consciente social e politicamente que tinha a capacidade de
relatar o cotidiano em forma de música. O começo da amizade com Ivan Lins e alguns
outros teve inicio na rua Jaceguai, na Tijuca onde morava o psiquiatra Aluízio Porto
Carrero, um homem que gostava de levar pessoas a sua casa para longas conversas, jogos de
cartas ou uma roda de violão. Foi nesta casa que Gonzaguinha conheceu Ângela, sua
primeira esposa, mãe dos seus dois filhos mais velhos, Daniel e Fernanda .
Das rodas de violão na casa de Aluizio nasceu o MAU (Movimento Artístico Universitário)
e dele faziam partes nomes como Ivan Lins, Aldir Blanc, Paulo Emílio, César Costa Filho.
Gonzaguinha começava a participar de festivais de música, sendo finalista em um deles
(em 1968) com a composição "Pobreza por pobreza". O MAU acabaria na
TV Globo, que em 1971 lançava o programa "Som Livre Exportação". Nos
primeiros dois meses as coisas caminharam bem e o grupo fez grande sucesso. Passando esse
período, na hora da renovação do contrato, a Globo só queria Ivan Lins, Gonzaguinha e
César Costa Filho. No início eles procuraram manter-se unidos, "na base do ou
assina todo mundo ou ninguém assina". Passados os primeiros dias, as grandes somas
envolvidas, as diferenças pessoais e outros fatores cindiram o grupo. O programa
continuou por mais algumas semanas, comandado por Ivan lins. Foi nessa época que se
difundiu a imagem de Gonzaguinha como um artista agressivo, chegando a ser chamado de
"cantor rancor". Para o compositor, sua pretensa agressividade foi apenas uma
criação do sistema.
Em 1973, Gonzaguinha participou do programa Flávio Cavalcanti apresentando a música "Comportamento Geral", num dos
concursos promovidos pelo programa. Essa participação resultou em muita polêmica, uma
advertência da censura mas, em compensação, o compacto gravado pelo compositor, que
estava encalhado nas prateleiras das lojas, esgotou-se em poucos dias e logo Gonzaguinha
pulava do quase anonimato para as paradas de sucesso na Rádio Tamoio e era convidado para
gravar um novo disco.
Como era de se prever naqueles anos de chumbo, a música logo foi proibida em todo o
território nacional e Gonzaguinha "convidado" a prestar esclarecimentos no
DOPS. Seria a primeira entre muitas visitas do compositor ao orgão público. Para gravar
os dois primeiros discos com 18 músicas, Gonzaguinha submeteu 72 à censura. Luiz Gonzaga Jr. (1974) e Plano de Vôo
(1975) eram a demonstração das preocupações sociais e políticas de Gonzaguinha com os
rumos que a nação tomava, e apesar da perseguição da censura, nunca deixou de divulgar
seu trabalho e exprimir suas opiniões.
Em 1975, Gonzaguinha dispensou os empresários e essa atitude foi fundamental para sua
carreira, segundo Gonzaguinha a vantagem de trabalhar independente dos empresários está
nos contatos que o artista mantém com várias pessoas, o que concorre para recuperar se a
base humana do trabalho. O ano de 1975 foi particularmente importante na vida do
compositor: tendo contraído tuberculose, Gonzaguinha viu-se obrigado a passar oito meses
em casa e aproveitou o tempo para meditar e refletir sobre si mesmo. E também marcou o
início das suas excursões pelo Brasil, em que rodou todo o país de violão. Com isso,
conseguiu solidificar as bases nacionais de sua arte e descobriu a importância de seu
pai, na música popular brasileira. Em 1976, Gonzaguinha gravou o LP Começaria
Tudo Outra Vez. O disco, de acordo com o próprio autor, representou a volta ao
início da carreira, retomando a espontaneidade perdida.
Era óbvio, que o crescimento do movimento que levaria à abertura do regime político, no
Brasil, iniciada em 1978, teria reflexos na obra do compositor, tornando mais visíveis,
seus aspectos românticos e pessoais, sem deixar de lado a visão crítica da sociedade.
Foram então criados uma série de sucessos, como "Grito de Alerta", "Sangrando", "Ponto de
interrogação", "Espere por mim morena", "O que é, o que é", "Não
dá mais prá segurar", entre outros, inclusos em seus álbuns seguintes, Gonzaguinha da vida (1979), Coisa Mais Maior
de Grande (1981), Alô, Alô Brasil (1983), e gravados
por outros grandes artistas da MPB como Maria Bethânia, Elis Regina, Cauby Peixoto, As
Frenéticas, Simone, Fagner e MPB4 entre outros. É dessa época o segundo relacionamento
amoroso de Gonzaguinha com Sandra Pera (Frenéticas), com quem teve sua 3ª filha: Amora.
Em toda essa trajetória, Gonzaguinha demonstrou, ao lado de qualidades artísticas
indiscutíveis, uma grande coerência de idéias sobre a arte, a vida e a dimensão
política do homem.
No fim da década de 80, veio à tona uma atividade pouco divulgada de Gonzaguinha, mas
não menos importante. Ele recebeu uma concessão para montar uma rádio, em Exu/PE. E
colocou em prática todas as idéias que tinha, sobre utilizar a mídia como fonte de
socialização do conhecimento e consciência. E com uma programação musical voltada
para o que é realmente popular, dava a voz a quem sempre teve que engolir fórmulas
prontas e imposições culturais.
Seus últimos 12 anos de vida, Gonzaguinha viveu ao lado de Louise Margarete Martins - a
Lelete. Desta relação nasceu Mariana, sua filha mais nova. Até hoje elas vivem em Belo
Horizonte, cidade onde Gonzaguinha morou durante dez anos. A vida em Minas, onde fixou
residência, mais calma, com longos passeios de bicicleta em torno da Pampulha, marcou o
período mais introspectivo de sua carreira. O músico dedicava-se a pesquisar novos sons
dividindo-se entre longos períodos em casa e demoradas turnês de shows pelo país.
A mais importante dessas turnês talvez tenha sido "Vida de
Viajante", ao lado do pai Luiz Gonzaga, em 1981. Não apenas um show, "Vida de Viajante" selou o reencontro de pai e filho, a
intersecção de dois estilos, o Brasil sertanejo do baião encontrando o Brasil urbano
das canções com compromisso social e uma só paixão - o palco.
O acidente que matou o cantor e compositor Luiz Gonzaga Júnior, aconteceu no dia 29 de
abril de 1991, por volta dàs 7:30 da manhã, na BR 280, a 390 km de Curitiba, entre as
cidades de Francisco Beltrão e Pato Branco no sudoeste do Paraná, seu carro, bateu de
frente numa caminhonete que tentava cruzar a pista. Gonzaguinha morreu na hora.
Gonzaguinha havia feito seu último show na cidade de Pato Branco (50 km do local do
acidente) pela manhã, ele dirigia o carro em destino a Foz do Iguaçu, onde tomaria o
avião de volta para o Rio de Janeiro.
Em 1997, finalmente a EMI prestou uma homenagem ao artista lançando uma caixa com os 13
trabalhos iniciais de Gonzaguinha. Os CDs vem acondicionados em uma bela caixa de madeira,
as capas dos álbuns estão preservadas e apresenta 6 faixas bônus. Esta caixa cobre o
período mais criativo de Gonzaguinha - de 1973 a 1985.
No final de 2001 foi lançado um CD com faixas inéditas do início de carreira de
Gonzaguinha.
http://gonzaguinha.technet.com.br/
- site muito bonito (projeto Gonzaguinha) - Precisa Shockwave
http://members.tripod.com/mpbrasil/g/gonzagui.htm
http://spock.acomp.usf.edu/~campoe/mpb/Gonzaguinha/
http://www.mpbnet.com.br/musicos/gonzaga.jr/index.html
- MPBNet Música Brasileira de qualidade
http://www.geocities.com/SoHo/Lofts/9250/
- site caprichado (moleque)
http://www.geocities.com/SiliconValley/Hills/2704/midis/mgonzaguinha.htm
- arquivos midi
http://www.geocities.com/Vienna/Choir/1613/
http://www.jbfm.com.br/espc_l.html
- entrevista (1978) dada à FM Jornal do Brasil - em Real Áudio
http://www.mcanet.com.br/gonzaguinha/
- site lindissimo e com informações valiosas
http://members.xoom.com/_XOOM/rfrota/index.html
- site do gonzagão
http://www.geocities.com/Augusta/7916/Artistas/Gonzaguinha.htm
- link novo
Gostaria de agradecer "on line" a Airton Vieira, idealizador e autor do site Projeto Gonzaguinha (o 1º da lista),
pelas correções e novas informações que ele me enviou.
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José Roberto Miccoli
mikkolee@ieg.com.br