João do Vale: life and work

JOÃO DO VALE JOÃO DO VALE JOÃO DO VALE

 

 


Atualizada em 11 abr 2002

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CONTEÚDO

 

PERFIL

 

João do Vale *11/out/1934 em Pedreiras MA
                     + 06/dez/1996 em São Luís MA

Nasceu no interior do Maranhão. Aos 13 anos foi para São Luís MA, onde participou de um grupo de bumba-meu-boi, o Linda Noite, como "amo" (pessoa que faz os versos). Dois anos depois, começou sua viagem para o Sul, que teria o seguinte percurso: Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, sempre em boléias de caminhões: em Fortaleza CE, foi ajudante de caminhão; em Teófilo Otoni MG, trabalhou no garimpo; e no Rio de Janeiro RJ, onde chegou em dezembro de 1950, empregou-se como ajudante de pedreiro numa obra no bairro de Ipanema. Passou a freqüentar programas de rádio, para conhecer os artistas e apresentar suas composições, em maioria baiões. Gonzagão gostou das músicas do maranhense, apresentou-o a Marinês e passou a chamá-lo carinhosamente de Sabará, pela semelhança física com o ponta-direita de mesmo nome, que brilhou no Vasco da Gama na década de 50.  Depois de dois meses de tentativas, teve uma música de sua autoria gravada por Zé Gonzaga, "Cesário Pinto", que fez sucesso no Nordeste. Era ainda ajudante de pedreiro em 1952, quando a cantora Marlene gravou seu primeiro sucesso (em parceria com Luiz Vieira) "Estrela Miúda". Outros intérpretes como Ivon Cury e Marinês também gravaram João do Vale. Em 1964 estreou como cantor no restaurante Zicartola, onde nasceu a idéia do show Opinião, dirigido por Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes e Armando Costa, que foi apresentado no teatro do mesmo nome, no Rio de Janeiro e ficou em cartaz de dezembro de 1964 até agosto de 1965 (assistido por mais de 100 mil pessoas). Dele participou, ao lado de Zé Kéti e Nara Leão, tornando-se conhecido principalmente pelo sucesso de sua música "Carcará" (com José Cândido), a mais marcante do espetáculo, que lançou Maria Bethânia como cantora. Também nessa época diversas cantoras como a própria Nara Leão ("Uricuri", "Minha História", "Sina de Caboclo") e Alaíde Costa ("A Voz do Povo") regravaram suas composições. Como compositor, em 1969 fez a trilha sonora de Meu nome é Lampião (Mozael Silveira). Depois de se afastar do meio musical por quase dez anos, lançou em 1973 Se eu tivesse o meu mundo (com Paulinho Guimarães) e em 1975 participou da remontagem do show Opinião, no Rio de Janeiro. Mas a melhor fase da vida do artista ocorreu no final dos anos 70, quando ele era o mestre-de-cerimônia da casa de shows Forró Forrado, na Rua do Catete, no Rio de Janeiro. Chico Buarque, Luiz Gonzaga, Elza Soares, Jackson do Pandeiro, Miúcha, Moreira da Silva, Clementina de Jesus, Clara Nunes, Jamelão, Djavan e (acredite) até a trovadora argentina Mercedes Sosa se apresentaram na casa a convite de João.
Em 1982 gravou seu segundo disco, ao lado de Chico Buarque, que, no ano anterior, havia produzido o LP João do Vale convida, com participações de Nara Leão, Tom Jobim, Gonzaguinha e Zé Ramalho, entre outros. Em 1994, Chico Buarque voltou a reverenciar o amigo, reunindo artistas para gravar o disco João Batista do Vale, prêmio Sharp de melhor disco regional Outros êxitos seus foram "Pisa na Fulô" (com Ernesto Pires e Silveira Júnior), "Aruera" (com Alventino Cavalcanti e J. Cândido), "O Canto da Ema" (com Aires Viana/ A. Cavalcanti), "Peba na Pimenta" (com José Batista/ Adelino Rivera), "Pé do Lajeiro" (com José Cândido/ Paulo Melo), "Na Asa do Vento" (com Luiz Vieira), "Pipira" (com José Batista) e "Forró do Beliscão" (Ary Monteiro).
Em Pisa na Fulô Mas Não Maltrata o Carcará, a biografia de João do Vale (Lumiar Editora - 2000), Marcio Paschoal revela curiosidades sobre a vida do carismático compositor, que conseguiu unir esquerda e direita em torno de sua obra. Seus admiradores iam do inflamado Carlos Lacerda ("João do Vale não faz parte dessa tropa ideológica da esquerda festiva. Com a sensibilidade de seus versos, ele fala do que viveu e conheceu na pele grossa de trabalhador braçal") à própria esquerda, que o consagrou no show Opinião. Um registro importante é a edição de sua participação no programa da TV Cultura - Opinião - lançada recentemente. A Columbia lançou em 2001 o cd com as faixas do LP de 1981, numa rara oportunidade de se conhecer a obra de João do Vale.
Chega também às livrarias a biografia de João do Vale (Lumiar Editora), escrito pelo jornalista Márcio Paschoal, Pisa na Fulô Mas Não Maltrata o Carcará, misturando acontecimentos políticos, econômicos e sociais à fascinante trajetória de vida do artista.

Discos de carreira
A MÚSICA BRASILEIRA DESTE SÉCULO POR SEUS AUTORES E INTÉRPRETES - JOÃO DO VALE 2000
JOÃO BATISTA DO VALE 1995
JOÃO DO VALE 1981
SHOW OPINIÃO - NARA LEÃO, ZÉ KETI e JOÃO DO VALE 1965

 


Ideologia


"Eu fui pedir aumento ao patrão, fui piorar minha situação. O meu nome foi pra lista, na mesma hora, dos que iam ser mandados embora."
A Voz do Povo - João do Vale
"Eu sou um pobre caboclo, ganho a vida na enxada. O que eu colho é dividido com quem não planta nada. Se assim continuar vou deixar o meu sertão, mesmos os olhos cheios d'água e com dor no coração. Vou pró Rio carregar massas prós pedreiros em construção."
Sina do caboclo - Zélia Barbosa/João do Vale/J.B. de Aquino
"Ah! eu vou dar uma volta lá na mata do sapé, onde mora o papa-mé, o furão e a caipora, que o gato fora de hora faz visita no poleiro. É no pé do lajeiro aonde a onça mora, mas inté minha noiva viu a carreira que eu levei nos caminho onde passei."
Pé do lajeiro - João do Vale/José Cândido/Paulo Bangu
"Você bem sabe, que a ema quando canta traz no meio do seu canto um bocado de azar. Eu tenho medo, morena, eu tenho medo, pois acho que é muito cedo pra essa amor acabar."
Canto da Ema - Ayres Viana, Alventino Cavalcante e João do Vale

 


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José Roberto Miccoli
mikkolee@uol.com.br