Luiz Vieira: life and work

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Atualizada em 11 abr 2002

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CONTEÚDO

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PERFIL

Luiz Vieira * 12.out.1928 em Caruaru PE

Para as gerações mais novas a obra suplantou o autor, e "Prelúdio Para Ninar Gente Grande", ou melhor, "Menino Passarinho" foi como a canção e o artista ficaram conhecidos pelo Brasil afora. Aliás, títulos são o que não falta para Luiz Rattes Vieira Filho, que após perder a mãe aos 2 anos de idade, foi criado pelo avô, em Alcântara, distrito de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Sua veia artística despontou cedo, ainda criança. Com apenas oito anos ele rabiscou a primeira canção. Mas talento não foi o único ingrediente para se projetar no mundo da música. Foi preciso muita insistência para conseguir sua primeira oportunidade no rádio. Teimoso, ele se inscrevia em todos os programas de calouros. Todos os dias, durante quase um ano, Luiz enfrentava a estrada, num trajeto de três horas entre as cidades de Alcântara e do Rio de Janeiro, vislumbrando uma chance de cantar no programa do Zé do Norte. Graças à sua persistência, sua vez acabou chegando. Uma greve dos cantores contratados pelo programa levou a produção ao desespero. E lá estava o perseverante Luiz que, desde então, passou a fazer parte da equipe.
Estar no lugar certo na hora certa era, felizmente, sua sina, que lhe deu a chance de ser um dos astros da noite na Lapa: no cabaré Novo México, mais uma vez o cantor da noite faltou, e mais uma vez, lá estava Luiz para substituí-lo. Daí para a frente, já reconhecido como cantor, circulava no meio de ilustres figuras do samba como Ataulfo Alves, Wilson Batista e Geraldo Pereira. Entre os anos 40 e 50, circulou em noitadas nos cabarés da Lapa, no Rio de Janeiro, e nos programas Manhãs na Roça, com Zé do Norte, na Rádio Clube do Brasil, Salve o Baião, na Rádio Tamoio e Espetáculos Tonelux, na TV Tupi.
Sem estilo definido para cantar ou compor, suas músicas acabavam virando moda. Foi assim com músicas, como a toada, no seu primeiro sucesso, "Menino de Braçanã", em 53, com a guarânia, na "Guarânia da Lua Nova", com o xote "Estrada de Columbandê" (gravado inicialmente por Ivon Cury), e com o prelúdio, no seu maior sucesso, "Prelúdio Para Ninar Gente Grande", em 63. Luiz Vieira foi preso e advertido diversas vezes, após denunciar em seus poemas a seca do Nordeste. Ele se valia do programa Espetáculos Tonelux, onde conversava com a vedete Virgínia Lane, para abrir o verbo. "Momentos de comunicação difícil", sintetiza Luiz, que também não escapou ileso da Ditadura. Seu apartamento foi vasculhado e seus objetos totalmente revirados. "Enquanto alguns foram para Paris, fui para as grotas do País", hoje graceja. Em sua carreira, ele abusou da improvisação. Certa vez, em Corumbá, no Mato Grosso, a cidade inteira se reuniu e aguardava ansiosa a chegada do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Não se sabe se por erro da produção, o fato é que chegou outro Luiz, o Vieira. Este não se fez de rogado. Apresentou-se como Príncipe do Baião, deu um show e conquistou o público. Nem sempre suas investidas para conquistar a platéia surtiram efeito. Duas grandes vaias ficaram registradas na sua memória. A primeira aconteceu durante uma luta de boxe do campeão Eder Jofre. Luiz fora contratado com outros artistas para distrair o público, enquanto não começava a disputa. Idéia infeliz, pois obviamente não havia clima para uma apresentação. Todos os artistas desistiram, menos ele, que, em início de carreira, não podia dar-se ao luxo de perder o cachê. Levou uma vaia inesquecível.
A segunda foi no programa Cesar de Alencar. O auditório estava lotado de fãs da cantora Emilinha Borba. O problema foi que sua arqui-rival da época, Marlene, havia gravado músicas de Luiz Vieira, inclusive "Menino Passarinho". Resultado: assim que ele entrou no palco foi hostilizado a ponto de nunca mais aceitar convite para participar do programa. Vexames à parte, os olhos do compositor ainda brilham quando narra um dos momentos de êxtase total na sua carreira.
Parou São Paulo com um show em comemoração à Semana da Asa. Com mais de 500 músicas editadas e gravadas por ele e por dezenas de outros intérpretes, um filho – músico também – uma neta, e "sei lá quantos casamentos", Luiz Vieira está perto de completar 70 anos de idade e 51 de profissão. Ele que também atende pelo codinome de "Príncipe do Baião", ou "Embaixador do Nordeste". O "menino passarinho" ainda planeja altos vôos e encanta-se com os desafios.
O verbo parar ainda não faz mesmo parte de seu repertório. Há 16 anos, Luiz comanda um programa diário de 6 às 10 horas, primeiro na Radio Nacional e há 3 anos, na Rádio Rio de Janeiro, chamado Minha Terra, Minha Gente. Segundo ele, no mais ousado desafio de sua carreira: levantar a audiência da emissora. Para isso, conta com a disposição e juventude da sua atual esposa e produtora Eurídice Pereira, de 26 anos. A inesgotável produtividade vem de uma lição: "A melhor fase é sempre o agora".
E até hoje, o poeta continua em atividade. É possível ouví-lo de segunda a sábado, de 6:00 ÀS 9:00 hs da manhã. Luiz Vieira está no comando do PROGRAMA "MINHA TERRA, NOSSA GENTE" pela RÁDIO RIO DE JANEIRO AM - 1400 KHz, e matar a saudade das músicas e dos "causos", sempre interessantes.


Ideologia

"Você é isso, uma beleza imensa, toda a recompensa de um amor sem fim. Você é isso, uma nuvem calma, no céu de minh'alma, é ternura em mim."
Paz do meu amor - Luiz Vieira

"A aranha tece puxando fio da teia, a ciência da abêia, da aranha e a minha, muita gente desconhece."
Na asa do vento - Luiz Vieira/João do Vale

"A escola do caboclo é enxada, é prantação. E seu diproma, seu mano, é seis calo em cada mão. Cumo premio ele arrecebe a seca, a desolação. Seus filinhos de bucho inchado. Nem farinha, nem feijão."
O retirante - Ubirajara dos Santos/Luiz Vieira

 


LINKS NA NET

http://www.luizvieira.com.br/   - finalmente o site oficial de Luiz Vieira, não deixe de conhecê-lo

http://www.samba-choro.com.br/artistas/luizvieira   - página sobre Luiz Vieira

http://spock.acomp.usf.edu/~campoe/mpb/Luiz_Vieira/   - letras de canções


Galeria de imagens

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Com Jararaca e Ratinho

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Luiz Vieira nos anos 70

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José Roberto Miccoli
mikkolee@uol.com.br