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Luiz Vieira Luiz Vieira Luiz Vieira
Atualizada em 11 abr 2002 |
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Para as gerações mais novas a obra suplantou o autor, e "Prelúdio
Para Ninar Gente Grande", ou melhor, "Menino Passarinho" foi como a
canção e o artista ficaram conhecidos pelo Brasil afora. Aliás, títulos são o que
não falta para Luiz Rattes Vieira Filho, que após perder a mãe aos 2 anos de idade, foi
criado pelo avô, em Alcântara, distrito de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Sua veia artística despontou cedo, ainda criança. Com apenas oito anos ele rabiscou a
primeira canção. Mas talento não foi o único ingrediente para se projetar no mundo da
música. Foi preciso muita insistência para conseguir sua primeira oportunidade no
rádio. Teimoso, ele se inscrevia em todos os programas de calouros. Todos os dias,
durante quase um ano, Luiz enfrentava a estrada, num trajeto de três horas entre as
cidades de Alcântara e do Rio de Janeiro, vislumbrando uma chance de cantar no programa
do Zé do Norte. Graças à sua persistência, sua vez acabou chegando. Uma greve dos
cantores contratados pelo programa levou a produção ao desespero. E lá estava o
perseverante Luiz que, desde então, passou a fazer parte da equipe.
Estar no lugar certo na hora certa era, felizmente, sua sina, que lhe deu a chance de ser
um dos astros da noite na Lapa: no cabaré Novo México, mais uma vez o cantor da noite
faltou, e mais uma vez, lá estava Luiz para substituí-lo. Daí para a frente, já
reconhecido como cantor, circulava no meio de ilustres figuras do samba como Ataulfo
Alves, Wilson Batista e Geraldo Pereira. Entre os anos 40 e 50, circulou em noitadas nos
cabarés da Lapa, no Rio de Janeiro, e nos programas Manhãs na Roça, com Zé do Norte,
na Rádio Clube do Brasil, Salve o Baião, na Rádio Tamoio e Espetáculos Tonelux, na TV
Tupi.
Sem estilo definido para cantar ou compor, suas músicas acabavam virando moda. Foi assim
com músicas, como a toada, no seu primeiro sucesso, "Menino de Braçanã", em 53, com
a guarânia, na "Guarânia da Lua Nova", com o xote "Estrada
de Columbandê" (gravado inicialmente por Ivon Cury), e com o prelúdio, no seu
maior sucesso, "Prelúdio Para Ninar Gente Grande", em 63. Luiz Vieira
foi preso e advertido diversas vezes, após denunciar em seus poemas a seca do Nordeste.
Ele se valia do programa Espetáculos Tonelux, onde conversava com a vedete Virgínia
Lane, para abrir o verbo. "Momentos de comunicação difícil", sintetiza Luiz,
que também não escapou ileso da Ditadura. Seu apartamento foi vasculhado e seus objetos
totalmente revirados. "Enquanto alguns foram para Paris, fui para as grotas do
País", hoje graceja. Em sua carreira, ele abusou da improvisação. Certa vez, em
Corumbá, no Mato Grosso, a cidade inteira se reuniu e aguardava ansiosa a chegada do Rei
do Baião, Luiz Gonzaga. Não se sabe se por erro da produção, o fato é que chegou
outro Luiz, o Vieira. Este não se fez de rogado. Apresentou-se como Príncipe do Baião,
deu um show e conquistou o público. Nem sempre suas investidas para conquistar a platéia
surtiram efeito. Duas grandes vaias ficaram registradas na sua memória. A primeira
aconteceu durante uma luta de boxe do campeão Eder Jofre. Luiz fora contratado com outros
artistas para distrair o público, enquanto não começava a disputa. Idéia infeliz, pois
obviamente não havia clima para uma apresentação. Todos os artistas desistiram, menos
ele, que, em início de carreira, não podia dar-se ao luxo de perder o cachê. Levou uma
vaia inesquecível.
A segunda foi no programa Cesar de Alencar. O auditório estava lotado de fãs da cantora
Emilinha Borba. O problema foi que sua arqui-rival da época, Marlene, havia gravado
músicas de Luiz Vieira, inclusive "Menino Passarinho". Resultado: assim que ele
entrou no palco foi hostilizado a ponto de nunca mais aceitar convite para participar do
programa. Vexames à parte, os olhos do compositor ainda brilham quando narra um dos
momentos de êxtase total na sua carreira.
Parou São Paulo com um show em comemoração à Semana da Asa. Com mais de 500 músicas
editadas e gravadas por ele e por dezenas de outros intérpretes, um filho músico
também uma neta, e "sei lá quantos casamentos", Luiz Vieira está perto
de completar 70 anos de idade e 51 de profissão. Ele que também atende pelo codinome de
"Príncipe do Baião", ou "Embaixador do Nordeste". O "menino
passarinho" ainda planeja altos vôos e encanta-se com os desafios.
O verbo parar ainda não faz mesmo parte de seu repertório. Há 16 anos, Luiz comanda um
programa diário de 6 às 10 horas, primeiro na Radio Nacional e há 3 anos, na Rádio Rio
de Janeiro, chamado Minha Terra, Minha Gente. Segundo ele, no mais ousado desafio de sua
carreira: levantar a audiência da emissora. Para isso, conta com a disposição e
juventude da sua atual esposa e produtora Eurídice Pereira, de 26 anos. A inesgotável
produtividade vem de uma lição: "A melhor fase é sempre o agora".
E até hoje, o poeta continua em atividade. É possível ouví-lo de segunda a sábado, de
6:00 ÀS 9:00 hs da manhã. Luiz Vieira está no comando do PROGRAMA "MINHA TERRA,
NOSSA GENTE" pela RÁDIO RIO DE JANEIRO AM - 1400 KHz, e matar a saudade das músicas
e dos "causos", sempre interessantes.
"Você é isso, uma beleza imensa, toda a recompensa de um amor sem
fim. Você é isso, uma nuvem calma, no céu de minh'alma, é ternura em mim."
Paz do meu amor - Luiz Vieira
"A aranha tece puxando fio da teia, a ciência da abêia, da aranha
e a minha, muita gente desconhece."
Na asa do vento - Luiz Vieira/João do Vale
"A escola do caboclo é enxada, é prantação. E seu diproma, seu
mano, é seis calo em cada mão. Cumo premio ele arrecebe a seca, a desolação. Seus
filinhos de bucho inchado. Nem farinha, nem feijão."
O retirante - Ubirajara dos Santos/Luiz Vieira
http://www.luizvieira.com.br/ - finalmente o site oficial de Luiz Vieira, não deixe de conhecê-lo
http://www.samba-choro.com.br/artistas/luizvieira - página sobre Luiz Vieira
http://spock.acomp.usf.edu/~campoe/mpb/Luiz_Vieira/ - letras de canções
![]() Em 65 com Tony Tornado e Sérgio Reis |
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![]() Com Jararaca e Ratinho |
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José Roberto Miccoli
mikkolee@uol.com.br