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NELSON GONÇALVES NELSON GONÇALVESNELSON GONÇALVES
| Atualizada em 10 abr 2002 | ||
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Nelson Gonçalves * 21/jun/1919 em Santana do Livramento -
RS
+ 18/abr/1998 no Rio de Janeiro - RJ
Antônio Gonçalves Sobral era cantor e compositor. Logo depois de seu
nascimento, Nelson mudou-se com seus pais portugueses para o bairro do Brás, em São
Paulo, onde foi criado. E para sobreviver, chegou a desempenhar as atividades mais
diversas. Antes de trabalhar como garçom no bar de seu irmão na Avenida São João, em
São Paulo, época em que envolveu-se com a boemia e com a música, trabalhou como
engraxate, mecânico e jornaleiro. Bastante impulsivo e violento, aos 16 anos, foi
campeão paulista de box, na categoria de peso-médio. Depois, durante o tempo em que
morou no Rio, após ser recusado em várias rádios, foi finalmente crooner do Cassino
Copacabana Palace, alcançando então o início da tão sonhada glória nacional.
Grande ídolo na década de 50, apresentou-se em diversas capitais e cidades brasileiras.
Fora do Brasil, no Uruguai, Argentina e nos Estados Unidos, onde apresentou-se, em 1961,
no lendário Radio City Hall, de Nova York, onde sua voz foi elogiada por ninguém menos
que Frank Sinatra. No final dos anos 50, envolveu-se com cocaína. Em 1966, chegou a ser
preso em flagrante, passando um mês na Casa de Detenção. Depois caiu num ostracismo que
lhe custou muito sofrimento e trabalho para se reerguer. Mas, Nelson vivia sua vida com
uma intensidade perseverante quase que desenfreada. Sua vida pessoal parecia misturar-se
aos dramas descritos em suas músicas. Nelson viveu e retratou plenamente a sua própria
arte.
Apesar da vida atribulada e do temperamento quente, dedicou mais de cinqüenta anos de sua
vida à música. Nelson deixou gravados mais de 2.000 canções em 57 CDs, 129 Long Plays,
200 fitas cassetes, 400 singles em 45rpm e 172 discos em 78rpm, sem dúvida, uma extensa
obra e com uma qualidade indiscutível. Vendeu cerca de 78 milhões de discos, ganhou 38
discos de ouro e 20 de platina. Por seu último disco, `Ainda é Cedo' (1997), Nelson iria
receber o disco de ouro. Teve seus discos lançados na China, América Latina, Itália,
Alemanha e Portugal. Na Bélgica, em 1975, o primeiro lugar nas paradas de sucesso era a
sua música intitulada "Naquela Mesa". Um campeão em todos os
sentidos, um homem sem qualquer limite.
A mais bem sucedida parceria de Nelson Gonçalves foi com o seu amigo de longa data,
Adelino Moreira, um dos maiores letristas e compositores do gênero samba-canção, que
compôs para Nelson mais de 370 músicas. Adelino, que ajudou a cunhar definitivamente o
estilo de Nelson, esteve presente no enterro do amigo, muito emocionado, cantando trechos
da música "Lua Namoradeira", tema que estava terminando de compor para a voz de
Nelson. E foi exatamente dessa parceria, a partir dos anos 50, que nasceram alguns dos
maiores sucessos de Nelson, como "A Volta do Boêmio", "Deusa
do Asfalto", "Fica Comigo Esta Noite", "Êxtase",
"Escultura". Eram temas românticos, em geral arrebatadores, de
paixões perdidas ou imortais. E tudo devidamente embalado naquele maravilhoso vozeirão
de grande extensão e muita emoção pura. E Nelson gabava-se de usar apenas um terço da
potência de sua voz.
Ele, que estudou muito música, tinha uma técnica acabada e completa em afinação,
harmonia, respiração, tônicas e divisão de palavras. Nelson marcou para sempre os
boleros, os tangos, os foxes e qualquer coisa que cantasse. Enobreceu a dor-de-cotovelo,
fez do brega uma coisa chique de uma maneira pioneira, toda sua.
Nelson conseguiu reunir vários apelidos e títulos tais como, Rei do Rádio, Metralha
(por ser gago), malandro, rouxinol, Frank Sinatra brasileiro, macho brasileiro, herói
etc. Somente o tempo e o distanciamento histórico necessários para se entender melhor a
dimensão e importância de Nelson Gonçalves para a música brasileira. Muita coisa
precisa ser feita a seu respeito. Como ele mesmo disse, "sou uma espécie de
dinossauro".
Nelson Gonçalves reservava o tempo vago para a pintura. Desde 1962 ele descobriu que os
pincéis também poderiam servir como um meio para expressar suas emoções. Gosta de
fazer paisagens que ele, porém, prefere deixar expostas nas paredes de sua casa ou de sua
fazenda, em Caxambu.
A morte de Nelson Gonçalves, aos 78 anos, no sábado do dia 18 de abril de 1998,
aproximadamente às 21h, devido a uma parada cardíaca, representou não apenas a
despedida de um dos mais importantes cantores da música brasileira de todos os tempos,
mas também marcou o término do ciclo de ouro dos cantores de grandes vozes,
interpretações dramáticas e de grande apelo popular, iniciado na década de 40, e que
tinha nos nomes de Orlando Silva, Silvio Caldas e Francisco Alves, seus representantes
máximos. Nelson encerrou uma era na música brasileira.
Em seu terceiro casamento, Nelson deixou dois filhos e cinco adotivos. Há cerca de um ano
e meio, ele estava separado de sua última esposa, Maria Luiza, uma ex-fã do cantor.
"Voltaste, estás bem, fico contente mas
me encontraste muito diferente, vou te falar de todo o coração. Não te darei carinho,
nem afeto, mas prá te abrigar podes ocupar meu teto, prá te alimentar podes comer meu
pão."
Cadeira vazia - Lupicínio Rodrigues
"Ninguém viveu a vida que eu vivi. Ninguem sofreu na vida o que eu sofri. As
lágrimas sentidas, os meus sorrisos francos refletem-se hoje em dia nos meus cabelos
brancos."
Cabelos brancos - Marino Pinto e Herivelton Martins
"Um dia sonhei um porvir risonho e coloquei o meu sonho num pedestal bem alto. Não
devia, e por isso me condeno sendo do morro e moreno, amar a deusa do asfalto."
Deusa do asfalto - Adelino Moreira
http://www.uol.com.br/uptodate/nelson/indexe.htm - quase todas as informações foram tiradas deste site
http://www.mpbnet.com.br/musicos/nelson.goncalves/index.html - uma das raras páginas sobre Nelson
http://spock.acomp.usf.edu/~campoe/mpb/Nelson_Goncalves/ - letras de músicas
http://luciana.openline.com.br/~abelha/lista32.htm - cd com arquivos mp3
http://www.cifrantiga.hpg.ig.com.br/Ng/nelson.html - página com tablaturas
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José Roberto Miccoli
mikkolee@ieg.com.br