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Mano Brown- Pedro Paulo Soares Pereira
Edy Rock- Edivaldo Pereira Alves
Ice Blue- Paulo Eduardo Salvador
KL Jay- Kleber Geraldo Lelis Simões
Ice Blue e Mano Brown, foram apresentados a Edi Rock e Dj. Kl Jay, os dois
primeiros da zona sul e os outros da zona norte, por Milton Sales, e logo perceberam que
tinham muita coisa em comum. A vida difícil, a violência na porta de suas casas, a
pobreza como parte do dia a dia, a cor da pele e principalmente, a vocação para o RAP. A
transformação destes 4 rapazes da periferia de São Paulo nos Racionais MCs, mais do que
um acerto comercial, foi um desses fatos que parecem estar predeterminados pelo destino.
Os Racionais Mc's gravaram em 1988 na coletânea 'Consciência Black' (Primeiro disco do
selo Zimbabwe ), os sucessos Pânico na Zona Sul e Tempos Difíceis. Eles impressionaram
de cara com a realidade crua de suas letras, onde narram a dura vida de quem é negro e
pobre, e sofre na pele com o racismo e o sistema capitalista que mantém a miséria que
com isso gera a violência e o crime.
Em 1990 lançaram o seu primeiro LP 'Holocausto Urbano' , que aos poucos foi conquistando
seus ouvintes. Nos anos 90 e 91 trabalharam com shows por toda a grande São Paulo,
interior do estado e receberam inúmeros prêmios como os de melhor conjunto Rap do ano e
conjunto revelação, fizeram dois shows na FEBEM e tiveram participação especial
abrindo o show de Public Enemy no ginásio do Ibirapuera.
Em 1992, passaram a ser mais respeitados ainda, ao fazer palestras à alunos e professores
em escolas públicas num projeto criado pela Secretária da Educação intitulado
'ARAPensando a Educação' no qual se discutiu: Violência Policial, Racismo, Miséria,
Tráfico de Drogas, Mortes Violentas; enfim, o cotidiano do público a quem estavam se
dirigindo. Esse projeto repercutiu em jornais, na televisão e principalmente nas
comunidades onde as palestras aconteceram, e com certeza, mudou a perspectiva de vida de
um considerável número de pessoas. No final deste mesmo ano lançaram o 2° disco (desta
vez um disco MIX), entitulado 'Escolha o Seu Caminho' com as poderosas faixas 'Voz Ativa'
e 'Negro Limitado', onde ficava ainda mais clara a proposta do grupo.
Em 93 foram atração no teatro das nações com o projeto 'Música Negra em Ação', que
contou com a realização e participação de importantes nomes como: Toninho Crespo e
Thaíde e Dj Hum. Participaram em shows filantrópicos em ajuda à doentes de Aids e
campanhas do agasalho e contra a Fome realizadas em quadras de Escolas de Samba e
Ginásios de Esportes. Foram um dos organizadores da passeata feita por jovens negros em
protesto a data 13 de maio (Libertação dos Escravos). Participaram de pedágios ao ar
livre promovidos pela rádio 105FM em praças e locais públicos. Mas a concretização do
sucesso total veio no final de 93 com o lançamento do poderoso 3° disco LP 'Raio X do
Brasil', que teve festa de lançamento na quadra da Rosa de Ouro com mais de 10.000
pessoas e parte do show foi feita ao vivo. Dai pra frente a metralhadora não parou de
disparar as músicas 'Fim de Semana no Parque' e 'Homem na Estrada', são hinos nos bailes
e clássicos em várias rádios FM. Pessoas de todas as classes sociais ouvem e admiram o
trabalho, mas a postura racional prevalece no pensamento de cada integrante. 'Nosso
Verdadeiro público está na periferia, eles nos colocaram no topo, eles é que precisam
ouvir o que temos a dizer, não vamos abandoná-los.'
Em 26 de novembro de 1994, 15.000 pessoas no Anhangabaú, no festival 'Rap no Vale', vêem
os Racionais MCs serem detidos pela PM, após terminar sua participação no espetáculo.
Segundo o comando da PM, as prisões ocorreram por haver 'incitação à violência' em
uma das letras cantadas pelo grupo. A causa do incidente dizia o seguinte: 'Vão invadindo
o seu barraco: 'é a polícia!' Vieram para arregaçar, cheios de ódio e malícia. Filhos
da puta, comedores de carniça...' A reação do público foi imediata, pedras, tiros,
pessoas feridas. A repercussão do fato chegou até o exterior, com vários manifestos de
apoio aos Racionais.
O tom agressivo e característico do grupo e a incrível habilidade de seus integrantes em
compor letras de impacto são os fatores responsáveis pela sua grande aceitação pelo
público. Não se pode negar que muitos não os aprovam, porém todos os respeitam.
Existe um fato interessante e coerente na postura dos Racionais: a resistência à mídia
como meio de auto-promoção, por considerar que ela é um dos inimigos que se tem de
enfrentar, e a submissão à ela seria segundo as próprias palavras do Mano Brown '...o
começo da derrota dos rebeldes. Os Racionais não podem trair'. Os Racionais sabem quão
nociva e influente parcela da mídia é, e quanto o povo sofre com a ignorância
incorporada dia a dia através dela. Eles dizem que a periferia é o motivo de todo o seu
trabalho. O disco mais recente, 'Sobrevivendo no Inferno', vendeu, apenas no primeiro
mês, 200 mil cópias, devendo chegar a mais de 300 mil até dezembro, sem qualquer tipo
de propaganda ou divulgação. O sucesso foi logo percebido e, logicamente, os grandes
meios de comunicação tentaram aproveitar-se dele. Mas os Racionais não amolecem,
escolhendo a dedo quais convites, de programas e emissoras, aceitar. Essa filtragem tornam
raras as oportunidades de se ter contato com as idéias destes novos 'porta-vozes' dos
jovens da periferia. Um bom exemplo são as reportagens na Caros Amigos de janeiro de 1988
e no especial Movimento Hip Hop da mesma publicação. Racionais são muito mais do que
RAP. São um aviso que a juventude não está inteiramente amansada pelo sistema. E os
'mais de 50.000 manos' crescem a cada dia.
Enquanto o aguardado disco dos Racionais MCs não é lançado, alguns integrantes da banda
investem em carreiras solo. O DJ KL Jay coloca no mercado em breve o álbum KL Jay Na
Batida, Vol. 3, com participações de MV Bill, Xis (na faixa Tudo Por Você Também) e
SNJ. O álbum será lançado pelo selo 4P e distribuído pela gravadora Trama.
Finalmente foi lançado o novo trabalho dos Racionais MCs, que tem como título "Nada
como um dia após outro dia" e contém surpresas como a presença do compositor
e cantor Cassiano em uma das faixas e o formato em CD duplo com preço indicado na capa:
R$23,90. Do novo repertório pelo menos tres músicas já pintam como novos lemas do
movimento: A vida é um desafio, Negro Drama e Vida Loca, que o grupo vem mostrando em
suas últimas apresentações. É esperar (com ansiedade) para ver.

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